O que os bancos suíços têm de especial?

Porque razão os grandes magnatas guardam as suas fortunas nos bancos suíços?
 
Já falamos aqui de vários símbolos (chocolates, queijos, relógios) considerados fundamentais, quando nos referimos ao país dos Alpes. Símbolos esses que fazem parte não só da história, mas acima de tudo que levam o nome do país ao resto do Mundo.
 
Mas nunca falamos de um outro símbolo, que a par desses, também caracteriza a Suíça e talvez contribua em maior número para prosperidade económica em que o país se encontra. Certamente que todos já ouvimos dizer que os bancos helvéticos são um atrativo para as grandes fortunas. Mas será que todos sabemos porquê?
 
O principal motivo, prende-se com o facto de os bancos suíços terem o direito, garantido por lei, de não revelar a identidade dos seus clientes. Este sigilo fiscal é muito atractivo, principalmente para os milionários que não pretendem ver reveladas as suas fortunas.
 
Foi na primeira metade do século passado que muitos europeus, descontentes com a inflação nos seus países de origem, decidiram colocar as suas fortunas nos bancos suíços. Já o facto de a Suíça ser uma país neutro fez com que muitas pessoas, principalmente judeus, no período do nazismo alemão e diante do perigo eminente de guerra, transferissem os seus capitais para um lugar seguro.
 
No decorrer da segunda guerra mundial, 75% do ouro desviado por Hitler dos países que este ocupou, foi transformado em francos suíços. Esta foi uma forma de lavagem dinheiro, porque o ouro nazista foi transformado num franco suíço forte, que representava mais poder que o dólar, a libra e até mesmo o então marco alemão.
 
Muitos judeus depositaram as economias de uma vida inteira nos bancos suíços, no decorrer da segunda guerra mundial mas no entanto, após a guerra, poucos conseguiram reavê-las, porque a sua documentação havia-se perdido. Até que um ex-segurança de um banco suíço acusou o mesmo (banco), afirmando que este destruiu os registos das pessoas que foram mortas no holocausto, de modo a que o seu dinheiro não fosse transferido para os herdeiros.
 
Em relação a esta questão nada foi feito até 1962, altura em que um Decreto Federal Suíço exigiu que os bancos, escritórios jurídicos, depositários e outros pesquisassem nos registos, para descobrir contas inativas, pertencentes a estrangeiros ou pessoas sem estado que foram vítimas de perseguição racista, religiosa ou política. Como consequência, um total de cerca de 9,5 milhões de francos suíços foi mencionado e cerca de três quartos foram transferidos para os legítimos herdeiros. Dos ativos sem herdeiros que restaram, dois terços foram destinados às comunidades judias da Federação Suíça e um terço à Swiss Central Agency for Refugee Assistance (Agência Central Suíça de Auxílio aos Refugiados).
 
Para os bancos suíços o importante nunca foi indivíduo, mas sim o portador de um número da conta e de uma senha de acesso, estando assim garantido o sigilo total sobre as contas.
 
No entanto, o Parlamento suíço teve de intervir, perante certas situações ilícitas que foram sendo denunciadas e em 1988 aprovou uma lei que combatia a lavagem de dinheiro. Segundo esta lei, todos os bancos teriam de denunciar às autoridades, situações em que houvesse suspeita de que o dinheiro que estava a ser depositado tinha uma origem ilegal.
 
O governo suíço comprometeu-se a aumentar o fornecimento de informações a outros países, em casos de suspeitas de corrupção, mediante pedidos concretos e devidamente justificados. Apesar das tentativas anti-corrupção, a Suíça continua a ser visto como o país de eleição para se guardar grandes fortunas. Em Abril de 2009 chegou mesmo a ser considerada, pela OCDE, um paraíso fiscal.
 
Apesar de tudo isto, é importante salientar que as contas bancárias suíças não são destinadas apenas para milionários, criminosos ou funcionários do governo que tentam ocultar uma riqueza ilícita ou celebridades que querem protegem os seus ativos dos ex-companheiros. Elas estão disponíveis para qualquer um e muitas pessoas comuns possuem contas bancárias na Suíça. As pessoas que moram em países que têm governos e bancos instáveis, em geral utilizam bancos suíços devido à sua segurança e privacidade.