Emigração Portuguesa na Suíça

A emigração de portugueses para a Suíça foi, até aos anos 60, muito esporádica e quase sempre confinada aos grupos sociais de maiores rendimentos. A primeira vaga de emigrantes começou nessa década, para suprir necessidades de mão-de-obra nos sectores da Construção Civil, Hotelaria e Agricultura (em 1970 eram cerca de 3.632 portugueses).
 
No final dos anos 70, a Suíça tornou-se numa terra de emigrantes portugueses, nomeadamente para os que regressaram de África . Actualmente, vivem e trabalham na Suíça cerca de 153.000 cidadãos lusos, constituindo a terceira comunidade estrangeira a residir neste país. Ao todo representam 9,5% dos 1,43 milhões de habitantes de nacionalidade estrangeira (não suíça).
 
A emigração portuguesa para a parte alemã da Suíça é mais recente que a emigração para a parte francesa (Suisse Romande). Foi apenas nos anos 90 que uma parte considerável dos emigrantes portugueses se começaram a fixar mais nos cantões com língua oficial alemã. Muitos defendem que este facto se deve ao mercado de trabalho francês, que a dada altura ficou sem oportunidades de emprego para emigrantes e o facto de haver uma certa afinidade linguística entre os dois países, motivou os portugueses a fixarem-se na parte francesa da Suíça.
 
Existe há bastante tempo uma emigração temporária para a parte alemã da Suíça, no entanto esta é residual e deve-se a certas especificidades. Por exemplo no cantão de Grisões, que vive muito do turismo de Inverno e, por isso, há muita emigração portuguesa no ramo da hotelaria e também na construção civil, já antes dos anos 1990. Estes trabalhos nas zonas dos alpes eram muito sazonais, e uma das principais “portas de entrada” no mercado de trabalho Suíço.
 
O facto de muitos portugueses trabalharem com outros portugueses sempre criou algumas dificuldades na adaptação linguística, devido ao facto de existir uma facilidade acrescida em encontrar emprego nos ramos de hotelaria e construção civil, consequentemente trabalhando com portugueses (e brasileiros), pelo que grande parte dos emigrantes não sente a necessidade de falar a língua local no trabalho.
 
Os emigrantes portugueses tiveram, ainda que ao longo dos anos, passar por uma série de privações e enfrentar a xenofobia que existiu durante décadas. Tudo isto serviu para que os que hoje emigram para a Suíça, quando cá chegam, se sintam mais em casa.
 
Há 10 anos atrás, as autorizações de permanência A (que já não existem) apenas permitiam às pessoas estarem no máximo 9 meses na Suíça e o resto dos meses do ano tinham que obrigatoriamente sair. Essas autorizações também não permitiam alugar casa na Suíça, comprar carro ou mudar de cantão e tinham uma série de outras restrições que faziam com que os emigrantes viessem exclusivamente para trabalhar durante aquele período e depois fossem embora. Era o empregador que tinha de fornecer alojamento.
 
Quando as pessoas mudavam para os contratos anuais então conseguiam a permissão B e aí já não existiam tantas limitações. Em 2002, após várias manifestações, os estatutos foram alterados e após um referendo houve a introdução da autorização de permanência temporária L, que já permite ter contrato anual, alugar casa e uma série de outras coisas que o anterior não permitia.
 
Hoje em dia já se começa a ver uma maior abertura por parte do governo Suíço e a palavra “integração” já começa a fazer algum sentido por aqui. Isto também é muito fruto da mentalidade do emigrante português se ter alterado ao longo dos anos. Nas décadas de 80 e 90, o emigrante abdicava de uma vida com dignidade no país de acolhimento, para a ter no seu país de origem, mesmo que não usufruísse desse bem-estar. A qualidade de vida, habitação, mobiliário, gastos com os tempos livres eram propositadamente reduzidas ao mais elementar para amealhar a maior poupança possível.
 
Actualmente esta atitude têm-se alterado, principalmente porque o tipo de emigração e as suas motivações também são diferentes. Os emigrantes começaram a perceber que o objectivo que traçavam demorava a concretizar-se e depois com a chegada dos filhos, o “regressar” teria de ficar para mais tarde. A formação escolar das crianças obrigava a uma certa integração dos pais.
 
Numa primeira fase, eram sobretudo as mulheres quem mais hesitavam e mais travavam o regresso. A mulher sentia que a sua vida havia mudado e seria ela quem mais teria a perder no caso de um regresso a Portugal em plena vida activa. Uma vez atingida a reforma, a família portuguesa regressa a Portugal já sem os filhos, visto que muitos, atingida a idade adulta optavam por ficar nos países de emigração. A família ia unida mas voltava desmembrada, regressando só os pais e já reformados.
 
Passou a ser perfeitamente possível um português, na Suíça, acordar de manhã e ir a um café português, ler o jornal português, almoçar num restaurante português, ir para o emprego com um patrão português e no final do dia ir para casa ver televisão portuguesa. Percebeu-se que é possível viver em Portugal fora de Portugal.
 
A tudo isto, relacionado com emigração portuguesa na Suíça, acresce o facto de a conjectura económica de Portugal ter vindo a degradar-se ao longo dos anos e a da Suíça continuar a prosperar. Actualmente, são os filhos que deixam os pais para trás, em busca de melhores condições de vida. Juntam-se a estes, outra geração que aos 40 e 50 anos deixam as suas origens, porque as empresas, onde trabalharam um vida inteira, fecharam as portas devido à crise e vêm em busca de uma oportunidade que no nosso país não existe.
 
Como diz o velho ditado: “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades.”