Simbolismo da Bandeira Suíça

Todos nós já reparamos na invulgar forma quadrada da bandeira suíça, mas poucos se perguntam o porquê de ser assim.
 
A bandeira é composta por um quadrado vermelho com uma cruz branca no centro. As cores remontam ao Sacro Império Romano Germánico e o desenho tem a sua origem nas guerras do final do século XIV. Aí, quando os soldados iam para a batalha, era comum que costurassem uma cruz branca nos seus uniformes, como sinal de reconhecimento e diferenciação em relação aos soldados austríacos.
 

 
Uma outra história para a construção da bandeira, remonta ao século XIX, e relaciona-se com a criação do Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV). Diz-se que esta forma e cores se devem a um homem chamado Henry Dunant, e remonta à guerra entre Itália e Áustria, guerra essa que levou a que países vizinhos de ambos os envolvidos, tomassem posições. A Suíça não foi excepção, e em 1859, travou-se uma batalha violentíssima em Solferino, foram várias horas de luta intensa, onde morreram milhares de homens de um lado e do outro e calcula-se que tenham ficado feridos cerca de quarenta mil pessoas.
 
Henry Dunant, que na altura desta guerra dirigia-se para França, na tentativa de falar com o imperador francês, assistiu à batalha, ficou horrorizado com tamanha mortandade. No entanto, em vez de fugir, permaneceu no local, arregaçou as mangas e durante três dias e três noites socorreu os feridos. Diz-se que terá procurado voluntários nas povoações em redor, lançando a mensagem de que “Somos todos Irmãos”. Com este apelo, convenceu os voluntários a tratarem italianos, franceses e austríacos sem distinção.
 
Em 1862, publicou o livro “Recordações de Solferino”, com descrições impressionantes da batalha e do sofrimento que lhe seguiu. Neste livro está também o relato pormenorizado sobre o trabalho das pessoas que quiseram ajudar e sobre o desespero que sentiram por não disporem de meios para puderem ter salvo mais vidas.
 
Dunant, determinado a fundar uma sociedade que reunisse voluntários para prestarem socorro a feridos de guerra, que fossem neutros relativamente ao conflito, viajou pela Europa e conseguiu constituir um comité de cinco elementos de nacionalidade suíça. Eram eles o próprio Dunant, um advogado e banqueiro, dois médicos e o general Dufour.
 
Este “Comité dos Cinco” reuniu-se em 23 de Outubro de 1863 em Genebra com representantes de dezasseis países. Após um longo debate, fundaram o “Comité Internacional de Socorro a Feridos” e decidiram que cada país montaria também o seu “Comité Nacional”. Na reunião aprovaram-se vários princípios e escolheu-se um símbolo para a organização – uma cruz vermelha sobre fundo branco.
 
A escolha representou uma homenagem à Suíça, país dos organizadores, cuja bandeira é igual, mas com as cores invertidas. Dunant sugeriu que o pessoal médico e de enfermagem não usasse uniforme militar para mostrar bem a sua neutralidade. Deveriam sim deslocar-se no campo de batalha exibindo uma Cruz Vermelha e assim se identificariam.
 
O CICV, é ainda hoje, uma organização humanitária, independente e neutra, que não perdeu os seus valores e continua a reunir esforços, para proporcionar protecção e assistência às vitimas da guerra e de outras situações de catástrofe. Tem a sua sede em Genebra, na Suíça, e o seu emblema tornou-se um símbolo internacional da causa humanitária.
 
Aquando da entrada da Suíça para a ONU, este passou a ser o único país a possuir uma bandeira quadrangular, uma vez que, todas as outras são rectangulares. Uma outra curiosidade acerca da bandeira helvética é o facto de esta não possuir avesso, podendo ser hasteada de ambos os lados.
 
Para além da Suíça, o Vaticano é o único estado com uma bandeira quadrada, muito provavelmente a bandeira do Vaticano tem influência da Guarda Suíça, que presta serviços para este desde o século XVI.