Néstle

Penso que é do conhecimento público, que esta empresa produtora de inúmeros alimentos que todos nós, pelo menos uma vez na vida, já consumimos é Suíça. Esta enorme empresa está presente em 194 países, tem a sua sede em Vevey, na Suíça, e o seu fundador foi Henri Nestlé. O primeiro alimento produzido pela Nestlé foi a farinha láctea, especialmente produzido para crianças, produzida à base de leite e cereais. Após este lançamento a Nestlé tornou-se uma empresa conhecida mundialmente, no que respeita a alimentos e sobretudo nutrição. Os seus produtos dividem-se em leite, café, culinários, chocolate em pó, cereais, bolachas, nutrição, chocolates, refrigerantes, gelados, massas e comidas congeladas e rações para animais.

 

Outro aspecto talvez desconhecido de muitos é o de que a empresa que inicialmente estava mais voltada para a nutrição, a partir da década de 70, passou a actuar em segmentos como os fármacos através da Alcon; a cosmética, com a L’Oréal e alimentação para animais de estimação com a Friskies e a Purina.

 

A Nestlé em Portugal, remonta a 1923, primeiro com a Fundação da Sociedade de Produtos Lácteos, Lda, sendo esta a primeira fábrica portuguesa de leite em pó simples. Dez anos depois, a Sociedade de Produtos Lácteos obteve o exclusivo da fabricação e venda de produtos Nestlé. Os produtos Maggi e Nescafé começaram a ser comercializados na década de 40. Em 1973, a Sociedade de Produtos Lácteos passa a chamar-se Nestlé Produtos Alimentares, SARL.

 

Segundo dados de 2011, trata-se de uma empresa com um volume de negócios anual na ordem de 83. 642 Milhões de euros, empregando nas suas cerca de 461 fábricas e 29 centros de investigação, mais de 327.000 colaboradores.

Mas, nem tudo são boas notícias, a Nestlé ao longo da sua vida, enquanto grande empresa mundial, tem sido alvo de várias críticas. Uma das mais controversas prende-se com a promoção de substitutos ao leite materno. As críticas prendem-se essencialmente com o facto de que a Nestlé está a violar uma directriz da OMS, que regula precisamente a publicidade de substitutos do leite materno. Organizações mundiais afirmam que a promoção de fórmulas infantis levou à morte de crianças em países menos desenvolvidos economicamente.

 

Outra grave crítica que a Nestlé enfrentou, remonta a 2008, quando o governo de Hong Kong resolveu processar a empresa, devido à presença de melanina num produto lácteo da Nestlé. O produto em questão terá sido produzido pela divisão da Nestlé na cidade de Qingdao. Perante esta crítica, a empresa afirmou que os seus produtos são seguros, e que não tinham sido feitas alteração ao leite com melanina. O Ministério da Saúde de Taiwan anunciou, posteriormente que existiam seis tipo de leite em pó, produzidos na China, pela Nestlé que continham baixo nível de vestígios de melanina, e foram retirados do mercado.

 

Em 2008, a Nestlé publicou o primeiro relatório da Criação de Valor Partilhado, o primeiro relatório global de Responsabilidade Social da empresa. Neste relatório, a Nestlé identificou cinco áreas sobre as quais iria actuar, no âmbito da criação de valor. Sendo estas áreas a nutrição; saúde e bem estar; a produção e a pegada ecológica; a agricultura e o desenvolvimento rural; os colaboradores e marketing e comunicação. No que se refere, à agricultura e desenvolvimento rural, a Nestlé afirma que “O nosso princípio é o de produzir, sempre que possível, nos países onde adquirimos as matérias-primas, em vez de as exportarmos.”

 

No entanto, mesmo depois destas publicações a Nestlé continua a ser alvo de duras críticas. Senão vejamos, em 2009 o escândalo das fazendas de Zimbabué, onde se afirma que a Nestlé comprou leite a fazendas que operavam ilegalmente. Porém após o escândalo, a empresa parou de comprar o leite às fazendas em questão.

 

O desmantelamente em Bornéu e outras regiões, com o fim de colher a madeira para que pudesse ser aberto caminho para as plantações de óleo de palma, fez com que se libertassem enormes quantidades de dióxido de carbono na atmosfera. Também a destruição das florestas, com o objectivo de produção de óleo de palma, fez com que inúmeros habitats fossem destruídos e muitas espécies de animais ameaçadas. Relativamente a estas críticas feitas pela Greenpeace, entre outras instituições ambientais a Nestlé defendeu-se dizendo que em 2009, a própria, utilizou 320.000 toneladas de óleo de palma, comparativamente com as 500.000 toneladas de óleo de palma utilizados para biodiesel na Alemanha e na Itália.

 

Em 2010, o documentário The Dark Side of Chololate mostrou ao mundo a utilização de mão de obra infantil, nas plantações de cacau da Costa do Marfim. Face a esta polémica, o CEO da Nestlé, celebrou um acordo internacional que visa a erradicação do trabalho infantil na produção de cacau.

 

Apesar das grandes vitórias que a gigante de produtos alimentares tem vindo a conseguir, muitas são as críticas que tem enfrentado ao longo da sua existência. Como em todas as grandes empresas, há sempre decisões boas e menos boas que são tomadas e até agora a Nestlé tem vindo a conseguir ultrapassar estas críticas, esperemos que assim continue.